domingo, 22 de maio de 2011

Skinner, Burrhus Frederic (1904-1990)

Skinner, Burrhus Frederic (1904-1990)


 “Eu creio que uma análise científica do comportamento deve supor que o comportamento de uma pessoa está controlado por suas histórias genética e ambiental, e não pela pessoa mesma como agente iniciador e criativo; [...] não podemos provar que o comportamento humano como um todo está completamente determinado, mas esta proposição vai-se fazendo mais plausível à medida em que se acumulam os fatos, e creio que há chegado ao ponto em que se deve considerar seriamente suas implicações.” — B. F. Skinner
Skinner nasceu no dia 20 de Março de 1904 em Susquehanna, Pensilvânia, onde viveu até ir para o colégio. Segundo seu próprio relato, seu ambiente da infância era estável e não lhe faltou afeto. Ele frequentou o mesmo ginásio onde seus pais haviam estudado; havia apenas sete outros alunos em sua sala ao final do curso. Ele gostava da escola e era o primeiro a chegar todas as manhãs. Quando criança e adolescente, gostava de construir coisas: trenós, carrinhos, jangadas, carrosséis, atiradeiras, modelos de aviões e até um canhão a vapor com o qual atirava buchas de batata e cenoura nos telhados dos vizinhos. Passou anos tentando construir uma máquina de movimento perpétuo. Também tinha interesse pelo comportamento dos animais. Lia muito sobre eles e mantinha um estoque de tartarugas, cobras, lagartos, sapos e esquilos listrados. Numa feira rural, ele observou certa vez um bando de pombos numa apresentação; anos mais tarde, ele treinaria essas aves para realizar uma variedade de façanhas. Ele se formou em inglês, recebeu a chave simbólica da Phi Beta Kappa e manifestou o desejo de tornar-se escritor. Depois de ler sobre John B. Watson e Ivan Pavlov, Skinner decidiu transferir seu interesse literário pelas pessoas para um interesse mais científico. Em 1928, inscreveu-se na pós-graduação de psicologia em Harvard, embora nunca tivesse estudado psicologia antes. Foi para a pós-graduação, disse ele, “não porque fosse um adepto totalmente comprometido da psicologia, mas para fugir de uma alternativa intolerável”. Comprometido ou não, doutorou-se três anos mais tarde. Seu tema de dissertação dá um primeiro vislumbre da posição a que ele iria aderir por toda a sua carreira. Sua principal proposição era de que um reflexo não é senão a correlação entre um estímulo e uma resposta.


Depois de vários pós-doutorados, Skinner foi dar aulas na Universidade de Minnesota (1936–45) e na Universidade de Indiana (1945–47). Em 1947, voltou a Harvard. Seu livro de 1938, “O Comportamento dos Organismos”, descreve os pontos essenciais de seu sistema. Cinquenta anos mais tarde, esse livro foi considerado “um dos poucos livros que mudaram a face da psicologia moderna”, e ainda é muito lido. Seu livro de 1953, “Ciência e Comportamento Humano”, é o manual básico da sua psicologia
comportamentalista.
Aos sessenta e oito anos, escreveu um artigo intitulado “Auto-Administração Intelectual na Velhice”, citando suas próprias experiências como estudo de caso.  Doente terminal com leucemia, apresentou uma comunicação na convenção de 1990 da APA, em Boston, apenas oito dias antes de morrer; nela, ele atacava a psicologia cognitiva. Na noite anterior à sua morte, estava trabalhando em seu artigo final, “Pode a Psicologia ser uma Ciência da Mente?”, outra acusação ao movimento cognitivo que pretendia suplantar sua definição de psicologia. Skinner morreu em 18 de Agosto de 1990.
Nenhum pensador ou cientista do século 20 levou tão longe a crença na possibilidade de controlar e moldar o comportamento humano como o norte-americano Burrhus Frederic Skinner (1904-1990). Sua obra é a expressão mais célebre do behaviorismo, corrente que dominou o pensamento e a prática da psicologia, em escolas e consultórios, até os anos 1950. Skinner também é considerado o pai da corrente que foi denominada behaviorismo radical.



Principais influenciadores:

Ivan Pavlov (1849-1936)

John B. Watson (1878-1958)


Entendendo o que é Filosofia da Ciência  

É o campo da pesquisa filosófica que estuda os fundamentos, pressupostos e implicações filosóficas da ciência, incluindo as ciências naturais como física e biologia, e as ciências sociais, como psicologia e economia. Neste sentido, a filosofia da ciência está intimamente relacionada à epistemologia e à ontologia. Procura explicar coisas como:
  • a natureza das afirmações e conceitos científicos,
  • a forma como são produzidos,
  • como a ciência explica, prediz e, através da tecnologia, domina a natureza,
  • os meios para determinar a validade da informação,
  • a formulação e uso do método científico,
  • os tipos de argumentos usados para chegar a conclusões,
  • as implicações dos métodos e modelos científicos para a sociedade e para as próprias ciências.
Uma visão é que todas as ciências possuem uma filosofia subjacente independente do que se afirme ao contrário:
“Não há tal coisa como ciência livre de filosofia; há apenas ciência cuja bagagem filosófica é tomada a bordos sem examinação.” —Daniel Dennett, Darwin's Dangerous Idea, 1995.


Ciência e Comportamento Humano (1953/1970) – Uma Ciência do Comportamento Humano
 

No capitulo estudado, autor propõe que não é possível prever as atitudes de um único individuo através de ações exercidas por um grupo analisado preliminarmente. A ciência do comportamento deveria ir além das analise feitas em grupos de pessoas, e deveria ainda, ultrapassar os dados estatísticos e as probabilidades que regem o fator determinante do comportamento humano, pois a analise de um grupo não determinará a ação a ser tomada por um único individuo. Ele diz que se a ciência se voltasse para o estudo das condições a que um individuo é colocado, teríamos mais chances de saber e determinar qual o comportamento que o individuo acometido teria posteriormente. O fato é, que a ciência em si não tem condições de prever um comportamento de um individuo aleatório, pois a ciência não estudará as condições às quais ele foi submetido, entretanto analisará o comportamento como um todo.

O autor cita que “A ciência é uma disposição de aceitar os fatos mesmo quando eles são opostos aos desejos” (Skinner, 1953/1970, p. 13). Ele quer dizer que nem sempre a ciência através de seus instrumentos de pesquisa nos dá a resposta que esperamos tanto ao final de todo o estudo, assim ele fala ainda sobre a capacidade do pesquisador de se “conformar” com o resultado obtido, pois se por um acaso ele quisesse voltar atrás, em relação aos resultados de uma pesquisa já comprovada, ele mesmo colocaria a sua pesquisa a prova, contradizendo a resposta final positiva que obtivera no inicio. Seria um risco para ele, a sua carreira estaria a prova diante de uma “duvida” colocada por ele mesmo. Assim ressalta a idéia do autor que: “Os dados, não os cientistas, falam mais alto.” (Skinner, 1953/1970, p. 13), pois os dados serão mais importantes do que a vontade do cientista ter um resultado “X” e ao final de toda a pesquisa obtém resultado “Y”.
“ A ciência é, certamente, mais do que um conjunto de atitudes. É a busca da ordem, da uniformidade, de relações ordenadas entre os eventos da natureza. Começa, como todos nós começamos, por observar episódios singulares, mas rapidamente avança para a regra geral, para a lei cientifica.” (Skinner, 1953/1970, p. 14), a partir daí o autor tenta expor que os limites da ciência vão alem da uniformidade e busca pelo lógico. Ele supõe que a disposição das condições de ambiente, não só nos permitirá prever o que vai acontecer com determinado individuo, como também tem controle sobre a sua reação. Ele diz que assim estaríamos “causando”  um acontecimento e que a reação diante deste fato seria supostamente controlada através das condições impostas. A ciência poderia ser usada para compreender o comportamento humano a fundo, onde a analise não faria parte de um processo ordenado, e sim de um processo de adaptação do ser humano ao ambiente em que ele esta, e sob as condições que se encontra. Os estudos de Skinner ultrapassaram a ordem lógica e ordenada da série de acontecimentos que surgem de uma “pesquisa cientifica”.

Utilização da Ciência para análise do comportamento -  Análise Critica

A ciência utiliza-se de objetos de pesquisa que não podem avaliar o comportamento, um telescópio por exemplo não nos diria sobre o comportamento de uma pessoa que foi colocada sob a condição de estar sem comida, por exemplo. Não nos ajudaria a prever, o que esta pessoa faria para conseguir a comida que lhe falta. O comportamento humano não é previsível, sendo apontado através de pesquisas ou generalizações em grupo. O comportamento é muito complexo de se entender, e mais complicado ainda de se estudar. O autor fala que: “ É possível fazer generalizações plausíveis sobre a conduta das pessoas em geral. Mas poucas destas generalizações sobreviverão a uma analise cuidadosa.” (Skinner, 1953/1970, p. 15). De acordo com Skinner, para entender o comportamento humano teríamos de desaprender muito sobre os primeiros contatos com a ciência.
O autor coloca alguns pontos que não permitem um entendimento através da ciência sobre o comportamento, ele fala sobre o fato da ciência trabalhara através de sistemas científicos, que expressam uniformidades e vão de encontro a teoria, porque fazem questão do mesmo campo. A ciência do comportamento quando atinge o ponto de ter que lidar com situações ordenadas, causa certa resistência daqueles que deram a sua lealdade às concepções pré-científicas. O comportamento é altamente complexo e não segue uma linha ordenada de acontecimentos. “ Não se segue que  o comportamento humano seja livre, mas apenas que pode estar além do alcance de uma ciência controladora ou preditiva” (Skinner, 1953/1970, p. 18), Nesta parte do texto o autor deixa claro que o comportamento humano pode sim ser analisado nos padrões da ciência, mas no entanto, não terá respostas concretas a partir da analise de vários organismos, e sim da analise das condições à que estes organismos serão acometidos. E isto esta além do alcance de toda a instrumentação cientifica, pois pensando de uma outra forma e de acordo com o autor, poderíamos sim fazer a analise de um organismo através de todo o processo a nós dado pela ciência e pesquisa, mas no entanto ao final do estudo, teríamos de nos contentar com apenas uma resposta, onde não há um instrumento que nos dê dados precisos  na analise comportamental.


Em certa altura do capitulo em questão, o autor nos mostra uma reação atípica das pessoas numa eleição, ele descreve que em uma eleição presidencial feita nos Estados Unidos, dados estatísticos levantados em relação aos votos de determinado candidato, demonstrou que a maioria dos eleitores votariam nele com certeza, sendo que mais tarde após a eleição este mesmo candidato não se elegeu. Assim, ele coloca que, as pessoas (eleitores) reagiram de forma contraria à previsão, portanto, teve um efeito sob o a reação prevista. A mesma coisa acontece quando alguém é estudado. A partir do momento que a pessoa sabe que esta sendo estudada, ela não terá o mesmo comportamento que teria em uma situação, que para ela, seria “normal”. O fato da observação, influi na maneira de se comportar da pessoa observada.
Também existe o fato da incapacidade de uso da tecnologia para a análise comportamental, o estudo só pode ser feito se fazemos o controle de determinada situação que o individuo esteja. Um exemplo disso são as indústrias que o autor fala: “Na indústria se mantém controle bastante amplo das condições relevantes para o comportamento sob a forma de salário e condições de trabalho;” (Skinner, 1953/1970, p. 23).
Seguindo esta linha de racicionio concluímos que, o autor até certo ponto de sua pesquisa esta certo em considerar que a ciência não pode prever o comportamento humano através de um grupo estudado, pois, os indivíduos são todos diferentes e condicionados a responder sobre determinados assuntos, dependendo do ambiente que o cerca. Mas também não podemos deixar de perceber que, o autor fala sobre uma possibilidade de “controlar o comportamento humano”, isso jamais seria possível, pois cada um reage a determinadas situações de maneira diferente. Mas indo mais além deste pensamento, Skinner, nos propõe que o determinante do comportamento é o ambiente, através do controle dos fatores de ambiente, teríamos condicionado o individuo em analise a agir de forma controlada. Isto na visão dele é “o controle” do comportamento. Concluímos ainda que é possível entender sim o comportamento humano através das condições em que o individuo se encontra, mas isso esta muito além dos métodos científicos de pesquisa tradicionais.

Behaviorismo – Skinner um Filósofo Behaviorista

O Behaviorismo Radical, postulado por B. F. Skinner e adotado por vários outros psicólogos, como Ferster, Sidman, Schoenfeld, Catania, Hineline, Jack Michael, etc., surgiu na área da Psicologia como uma proposta filosófica e como um projeto de pesquisa em oposição ao behaviorismo metodológico de orientação positivista. O Behaviorismo Radical é o campo filosófico da análise do comportamento.
Para Skinner, o behaviorismo radical seria um caso especial da filosofia da ciência: "não é a ciência do comportamento humano, é a filosofia dessa ciência" (A análise do comportamento). Ele busca compreender questões humanas, como "comportamento", "liberdade" e "cultura", dentro do modelo de seleção por conseqüências, e rejeitando o uso de variáveis não-físicas (sem dimensão no tempo-espaço).
Um filósofo behaviorista radical defende que as diferentes explicações sobre o comportamento humano deveriam ser resolvidas na base de evidências refutáveis, e não de abstratas especulações. O behaviorismo radical foi concebido em experimentos realizados sob o rigor da produção de conhecimento científico. Desenvolvido dentro de um laboratório, sob condições controladas, é um método passível de reaplicação.
Entendido como pensamento filosófico, o Behaviorismo radical não deve ser confundido com a análise do comportamento. Isso porque a análise do comportamento é, além de um campo filosófico (Behaviorismo Radical), um campo de Pesquisa Básica (Análise Experimental do Comportamento) e um campo de aplicação de conhecimentos e técnicas (Análise Aplicada do Comportamento). A análise do comportamento é uma ciência do comportamento, e tratando de aplicação de uma ciência do comportamento, sua prática não se dá em ambiente sob condições controladas, e sim, no ambiente comum a todos os homens e mulheres: o planeta que habitamos.

 "Caixa de Skinner"
 
O termo behaviorismo vem do inglês behavior (comportamento) e ilustra bem o objeto de estudo da vertente radical: o comportamento, entendido como a relação entre o indivíduo e seu ambiente físico, químico ou social. O "radical" do behaviorismo se deve ao fato de que as técnicas ali descritas não apelam para estados mentais como causa iniciadora do comportamento, mas os vê como estágio inicial do próprio comportamento. Com isso, adquire o status técnico de resposta emitida, e não de causa autônoma ou mental do comportamento, diferenciando-se, fundamentalmente, das outras correntes de pensamento dentro da psicologia. O behaviorismo radical também é conhecido como skinneriano, pois foi B. F. Skinner quem desenvolveu sua teoria, com base em seus estudos de laboratório.
Por ser uma ciência natural, a análise do comportamento procura entender a relação entre indivíduo/ambiente em termos de comportamentos, que podem ter sua probabilidade de emissão diminuída ou aumentada, conforme a história de condicionamento do indivíduo e a apresentação ou retirada de estímulos ambientais.


O ratinho na caixa de Skinner aprende a premir a alavanca que lhe dá comida (reforço positivo) e/ou evita o choque elétrico (reforço negativo)

Bibliografia:
SKINNER, Ciencia e Comportamento Humano. São Paulo: Martins Fontes,1998.
SKINNER, B. F. Ciencia e Comportamento Humano. Disponível em:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Burrhus_Frederic_Skinner. Acesso em 19 de maio 2011.